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Trudruá Dorrico: pioneira no vestibular USP

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Trudruá Dorrico foi a primeira autora indígena a ser oficialmente incluída na lista de leituras obrigatórias da Fuvest, vestibular da Universidade de São Paulo (USP), válida a partir de 2030. A decisão representa um marco histórico na valorização de vozes originárias na literatura brasileira.

A inclusão da obra organizada por Trudruá aponta para um reposicionamento da literatura nacional, reconhecendo como parte de sua identidade as histórias, cosmologias e memórias dos povos indígenas.

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Quem é Trudruá Dorrico

Trudruá Dorrico é uma escritora, pesquisadora e ativista indígena do povo Makuxi, nascida em Roraima. Doutora em Teoria da Literatura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), ela também é mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Sua trajetória é marcada por uma profunda articulação entre produção acadêmica, criação literária e atuação cultural.

Com um trabalho centrado na valorização das narrativas dos povos indígenas, Trudruá tem como missão combater o apagamento histórico e promover a multiplicidade de identidades brasileiras. Sua escrita mistura gêneros como o conto, a poesia e o ensaio, sempre abordando temas como território, identidade, ancestralidade e resistência.

Além de suas obras individuais, a autora atua na organização de antologias e projetos de divulgação cultural. Nas redes sociais, especialmente em seu perfil no Instagram, há um foco na formação de leitores conscientes sobre a literatura indígena contemporânea e o direito dos povos originários de narrarem suas próprias histórias.

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Eu sou Macuxi e Outras Histórias

Publicado inicialmente sob o nome Julie Dorrico — que a autora abandonou para resgatar sua identidade indígena — o livro “Eu Sou Macuxi e Outras Histórias” marca a consolidação de sua carreira como escritora. A obra se estrutura em contos e reflexões poéticas que transitam entre aspectos autobiográficos e coletivos da experiência indígena.

A narrativa assume o papel de ferramenta de retomada cultural, com a autora compartilhando episódios de sua própria vida para discutir pertencimento, ancestralidade, invisibilização e memória. A fluidez entre real e simbólico que permeia os textos cria pontes com os conhecimentos orais e cosmogônicos dos povos indígenas.

Neste livro, Trudruá também enfatiza a relação com o território ancestral, o papel das mulheres indígenas e a forte conexão com a natureza — aspectos centrais nas culturas originárias, frequentemente negligenciados em leituras hegemônicas da literatura nacional.

A importância da antologia “Originárias”

A obra “Originárias: Uma antologia feminina de literatura indígena” será cobrada no vestibular da USP entre 2030 e 2033. Organizada por Trudruá Dorrico em parceria com Maurício Negro, este trabalho reúne textos de 12 autoras indígenas de diferentes povos, línguas e territórios do Brasil.

A antologia apresenta contos, poemas e narrativas que revelam a força estética, política e cultural das mulheres indígenas brasileiras. Inspiradas por sonhos, tradições orais e experiências comunitárias, as autoras abordam temas como:

  • Relações familiares
  • Amor e amizade
  • Narrativas de origem
  • Luta por território
  • Identidade e espiritualidade

Além de seu conteúdo literário, o livro conta com glossário, notas culturais e mini biografias das autoras, oferecendo ao leitor um panorama mais profundo sobre os contextos de cada história. A proposta não é apenas apresentar novos nomes, mas remodelar a ideia de cânone literário brasileiro.

Um marco para a literatura indígena nas escolas

A entrada da obra "Originárias" na lista da Fuvest é simbólica e transformadora. É a primeira vez que uma coletânea de autoria feminina e indígena é oficialmente reconhecida como parte das leituras fundamentais para o vestibulando da USP. Isso reforça a necessidade contínua de pluralizar os currículos escolares, que por muito tempo privilegiaram vozes brancas e masculinas.

A presença da literatura indígena contemporânea no vestibular quebra um ciclo de apagamento histórico e oferece uma nova oportunidade para que estudantes e professores repensem o que chamamos de literatura brasileira. A iniciativa não só valoriza a diversidade, como também propõe uma escuta ativa das vozes marginalizadas ao longo da história da educação no país.

Obras como as de Trudruá Dorrico mostram que a escrita indígena vai muito além da denúncia: ela é, sobretudo, espaço de afirmação cultural, reconstrução de memórias e criação de novos horizontes de sentido para a nossa sociedade.

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