Ortografia no vestibular: regras essenciais e dicas práticas

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A ortografia é um dos pilares que sustenta a norma-padrão da Língua Portuguesa. No contexto dos vestibulares e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), dominar suas regras não é apenas desejável, mas indispensável.

Erros ortográficos podem comprometer significativamente a nota da redação e impactar a interpretação de enunciados, questões e alternativas nas provas objetivas.

O que é ortografia

A palavra "ortografia" vem do grego orthós (correto) e graphía (escrita), ou seja, representa a escrita correta das palavras segundo as normas da língua. Sua principal função é garantir a padronização e a compreensão uniforme entre falantes e escritores do idioma, independentemente da região do país.

Além da padronização, a ortografia está intrinsecamente ligada ao campo da morfossintaxe. Um erro de grafia pode alterar o sentido da palavra ou o papel sintático que ela exerce na oração, o que traz impactos diretos na clareza de textos e argumentos.

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Ortografia regular e irregular

Em muitos casos, a escrita das palavras segue um padrão previsível, indicando uma ortografia regular. No entanto, há também termos cuja grafia não obedece a regras fixas, sendo guiada por sua origem etimológica e uso social.

  • Ortografia regular: palavras com terminações ou radicais regidos por regras específicas, como "viajem" (forma verbal de viajar) ou "garagem" (terminação -agem com G).
  • Ortografia irregular: termos como "pajem" ou "monge", que fogem aos padrões e devem ser memorizados individualmente.

Essas particularidades tornam essencial o contato constante com a leitura de textos formais e exercícios de revisão ortográfica.

Diferença entre fonema e letra

Um aspecto fundamental no estudo ortográfico é compreender que som e grafia nem sempre mantêm uma correspondência direta.

  • Letra: é a representação gráfica; o que se escreve.
  • Fonema: é o som produzido na fala.

Exemplos ilustram bem essas distinções:

  • A letra X, em "exame", tem som de /z/; em "xícara", soa como /ch/.
  • O fonema /s/ aparece tanto em "casa" quanto em "cozinha", com grafias distintas.
  • Existem dígrafos — quando dois caracteres representam um único som — como "ch" em "chuva" e "lh" em "filho".

Compreender essas relações é indispensável para aplicar corretamente as regras de escrita.

Regras de uso de letras: G e J

Em diversas situações, principalmente com palavras de mesmas sonoridades, é comum a confusão entre G e J. Regras específicas ajudam a evitar deslizes.

Com G:

  • Palavras terminadas em:
    -agem (garagem),
    -igem (origem),
    -ugem (ferrugem).
    Exceção: pajem.
  • Palavras terminadas em:
    -ágio (estágio),
    -égio (colégio),
    -ígio (prodígio),
    -ógio (relógio),
    -úgio (refúgio).
  • Derivadas de palavras com G:
    "vertigem" → "vertiginoso",
    "massagem" → "massagista".

Com J:

  • Derivadas de palavras com final -ja: "laranja" → "laranjeira".
  • Verbos com radicais que indicam ação em -jar: "viajar" → "viajem".
  • Palavras de origem indígena ou africana: "canjica", "jenipapo", "pajé".

Saber reconhecer a origem de palavras ajuda a identificar a grafia correta diante da dúvida.

S com som de Z

O fonema /z/ pode ser representado por S em alguns contextos, principalmente:

  • Em adjetivos com os sufixos -oso/-osa: "vaidosa", "bondoso".
  • Em adjetivos pátrios com -ês/-esa: "francês", "estoniana".
  • Em verbos derivados de substantivos: "análise" → "analisar".

Apesar da pronúncia sugerir grafias com Z, a escrita correta requer atenção à função morfológica da palavra.

Uso de X e CH

Outra confusão recorrente envolve palavras com som /ch/, que ora são escritas com CH, ora com X.

Com X:

  • Após ditongos: "caixa", "deixo".
    Exceção: "recauchutar".
  • Após o prefixo em-/en-: "enxurrada", "enxágue".
    Exceção: "encher", pois vem de "cheio".
  • Palavras de origem indígena ou africana mantêm X: "xaxim", "xará".

A memorização e o contexto morfológico são essenciais nessas ocorrências.

Representação do fonema /s/

Esse fonema pode aparecer com diferentes letras e combinações:

  • SS: "missão", "professor", "processo".
  • SC e SÇ: "nascer", "cresça", "disciplina".
  • XC: "exceder", "exceção", "excelente".

Identificar o radical e o prefixo ajuda a evitar erros nessas situações.

A função da letra H

O H, embora não represente som próprio em muitas situações, tem papéis importantes:

  • Indica tradição etimológica em palavras como "homem", "hora", "hábito".
  • Compõe dígrafos com outras letras, mudando o som:
    CH (chuva),
    LH (olho),
    NH (dinheiro).

Palavras iniciadas com H costumam exigir atenção especial exatamente por sua presença meramente gráfica.

As letras K, W e Y

A inclusão das letras K, W e Y no alfabeto oficial brasileiro após o Acordo Ortográfico tem uso limitado:

  • Em siglas e símbolos científicos: km, kg, kW.
  • Em nomes próprios estrangeiros e suas grafias derivadas: Washington, Kawasaki.
  • Palavras estrangeiras sem adaptação: hobby, show.

Quando há aportuguesamento, essas letras são substituídas: yoga → ioga, whisky → uísque.

Regras de acentuação gráfica

A acentuação correta é essencial para indicar a tonicidade e o sentido da palavra.

Oxítonas

Acentuam-se quando terminam em:

  • A(s): "sofá", "cajá".
  • E(s): "café", "você".
  • O(s): "avô", "paletó".
  • Em/Ens: "alguém", "também".
  • Ditongos abertos: "herói", "papéis".

Paroxítonas

Acentuam-se quando terminam em:

  • R, L, N, X, PS: "revólver", "fácil", "pólen", "tórax", "bíceps".
  • I(s), U(s): "táxi", "vírus".
  • Um/Uns: "álbum", "fóruns".
  • Ditongo crescente: "água", "história".

Palavras terminadas em "ei", "oi" em paroxítonas não têm mais acento: "ideia", "heroico".

Proparoxítonas

Todas as palavras proparoxítonas são acentuadas. Exemplos: "médico", "lâmpada", "difícil".

Acentos diferenciais

Com a Reforma Ortográfica, alguns acentos diferenciais foram abolidos:

  • "para" (verbo) não se diferencia mais de "para" (preposição).
  • "pelo" (substantivo) e "pelo" (preposição) não têm mais distinção gráfica também.

No entanto, permanecem outros casos de acento diferencial, como:

  • "pôde" (pretérito do verbo poder) vs "pode" (presente).
  • "pôr" (verbo) vs "por" (preposição).

Essas distinções são fundamentais para evitar ambiguidades em redações.


Dominar a ortografia não apenas evita prejuízos na pontuação — especialmente nas redações dos vestibulares —, como também demonstra domínio da norma culta e zelo com o texto. O treino constante com leitura, escrita e correção são as ferramentas mais eficientes nesse processo.

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