Desafios no combate à violência contra mulheres no Brasil

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O Vestibular Uemg 2026 surpreendeu ao propor um tema atual e sensível para a prova de redação: os desafios no acolhimento e na segurança de mulheres vítimas de violência. A proposta exigia o gênero dissertativo-argumentativo.

Os candidatos precisaram desenvolver uma reflexão crítica com base em quatro textos motivadores, abordando desde violência digital até acesso ao SUS e casos de feminicídio. A escolha reforça a importância do debate sobre gênero na sociedade brasileira.

Tema da redação: Uma reflexão sobre a proteção feminina

A Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) propôs aos candidatos de seu vestibular 2026 uma discussão profundamente necessária: “Desafios para garantir a segurança e o acolhimento de mulheres vítimas de violência no Brasil”. A abordagem exigia mais do que apenas compreensão textual. Demandava sensibilidade social, domínio da argumentação e capacidade de propor intervenções viáveis.

A redação seguiu o formato tradicional dissertativo-argumentativo, exigindo um posicionamento claro por parte do aluno, além do uso de repertório sociocultural relevante. Para embasar a produção textual, a banca disponibilizou quatro textos motivadores que ofereceram uma visão ampla sobre a questão da violência contra a mulher em diferentes contextos.

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O que dizem os textos motivadores

O primeiro texto apresentado aos candidatos citava o Canal Mulher, iniciativa criada pela Uemg em parceria com outras instituições, para acolhimento de vítimas e denúncias de violência de gênero. A proposta reforça o papel das universidades públicas no enfrentamento dessa problemática.

O segundo documento explorava o crescimento da violência digital, com destaque para crimes como perseguição virtual e vazamento de dados íntimos. A inclusão desse aspecto chama atenção para os riscos que se intensificam no meio digital, muitas vezes minimizados por falta de legislação específica e mecanismos eficazes de fiscalização.

O terceiro apoio tratava do acesso das vítimas ao Sistema Único de Saúde (SUS), evidenciando que muitas mulheres enfrentam obstáculos para obter atendimento físico e psicológico adequado. Já o quarto texto trazia dados sobre feminicídios, ressaltando o elevado índice de assassinato de mulheres no país e reforçando a urgência de políticas públicas preventivas e protetivas.

Esses textos serviram como base para que os candidatos refletissem sobre os fatores que contribuem para a violência, os desafios enfrentados pelas vítimas e os possíveis caminhos de transformação social.

Possibilidades de argumentos e repertórios

Um bom desenvolvimento textual exigia que o estudante abordasse a complexidade do fenômeno da violência contra a mulher. Com base nos textos, seria possível citar, por exemplo:

  • A insuficiência de políticas públicas efetivas de proteção;
  • A cultura do machismo estrutural perpetuada historicamente;
  • A lentidão do sistema judiciário na aplicação de medidas protetivas;
  • Os entraves no acolhimento psicológico e médico pelo SUS;
  • A impunidade nos casos de violência digital.

Como repertório sociocultural, obras como o filme “Que horas ela volta?”, o livro “O Segundo Sexo”, de Simone de Beauvoir, ou dados do Mapa da Violência de 2023 poderiam enriquecer a argumentação. Além disso, leis como a Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) e o pacote anticrime com alterações sobre feminicídio dariam base legal para a análise.

Uma proposta de intervenção adequada deveria respeitar os direitos humanos e envolver ações como ampliação das casas de acolhimento, capacitação de profissionais de saúde e segurança, além de políticas educacionais voltadas à desconstrução de estereótipos de gênero.

Impacto do tema e expectativas da banca

A Uemg demonstra, com essa escolha, o compromisso com questões sociais relevantes e urgentes. A violência contra a mulher, tema recorrente nas discussões sobre direitos humanos no Brasil, exige uma abordagem crítica e responsável já desde o ambiente escolar e universitário.

Além disso, ao propor um tema denso e contemporâneo, a banca oportunizou aos estudantes que demonstrassem não apenas domínio da escrita, mas também posicionamento ético e sensibilidade social — características valorizadas no ensino superior.

Com esse recorte temático, esperava-se que os candidatos apresentassem soluções realistas e bem fundamentadas. A banca deveria valorizar propostas que fossem coerentes com os direitos constitucionais das vítimas e atentassem para a transversalidade das políticas públicas.

Calendário e informações úteis

Os demais detalhes do processo seletivo da Uemg 2026 também já foram definidos. A prova foi aplicada no dia 18 de janeiro e incluiu 48 questões objetivas, além da redação. Confira os principais marcos do calendário:

  • Publicação do gabarito preliminar: 19/01/2026
  • Gabarito definitivo: 23/01/2026
  • Resultado preliminar: 09/02/2026
  • Resultado final: 19/02/2026
  • Matrículas: 03 a 06/03/2026
  • Início das aulas: 09/03/2026

Para consulta de materiais relativos à prova, a banca também disponibilizou o arquivo da proposta completa de redação para acesso público. O conteúdo pode ser visualizado ou baixado diretamente no link: Redação Uemg.

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