Estratégia e autenticidade marcaram redação nota mil do Enem 2025

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Entender o funcionamento da sociedade brasileira e usá-lo como base para reflexões críticas foi o que fez Caio Braga, de 18 anos, alcançar a nota máxima na redação do Enem 2025. Morador de Recife e graduando de Ciência da Computação, ele utiliza a própria trajetória como prova de que equilíbrio, propósito e repertório sólido podem ser os diferenciais para o sucesso na prova.

Ao invés de decorar fórmulas prontas, Caio buscou algo mais abrangente: compreender o Brasil por diversas frentes. Seus estudos não se limitaram à gramática, mas se expandiram para livros, filmes e exemplos históricos que o ajudaram a analisar criticamente o tema da redação.

Um olhar brasileiro sobre o envelhecimento

O tema da redação do Enem 2025, “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, exigiu maturidade argumentativa e profundidade cultural. Segundo Caio, o primeiro passo foi entender a mensagem presente nos textos motivadores da proposta. Eles serviram como base para construir um argumento coeso e original.

Ele dividiu seu texto em quatro parágrafos, com cada um abordando uma perspectiva diferente sobre o envelhecimento. Começou citando o livro "O Karaíba", de Daniel Munduruku, para refletir sobre a valorização dos anciãos nas culturas indígenas. Na sequência, trouxe a Lei dos Sexagenários como exemplo da exclusão dos idosos escravizados, destacando a falácia da liberdade para pessoas que mal chegavam à velhice.

No terceiro argumento, usou o filme “Vitória”, protagonizado por Fernanda Montenegro, como espelho da realidade atual de idosos periféricos, ativos na luta por segurança e direitos. A proposta de intervenção foi uma das mais desafiadoras: mostrar como propor soluções para uma questão baseada em perspectiva e não em um problema objetivo.

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Rumo à nota mil: preparo emocional e intelectual

Apesar de seu histórico excelente, Caio reforça que não foi o volume de conteúdo que o destacou, mas sim sua preparação estratégica e sua tranquilidade. No terceiro ano do ensino médio, priorizou mais o entendimento da estrutura do Enem do que revisões massivas de conteúdo.

Durante sua jornada, enfrentou dificuldades pessoais e reconheceu a necessidade de respeitar os próprios limites. Abriu espaço para cuidar da saúde mental e física, praticando exercícios e preservando momentos com amigos. Para ele, estudar sem equilíbrio não gera resultados duradouros.

Orientado pela definição de saúde da Organização Mundial da Saúde, que inclui bem-estar físico, mental e social, evitou sobrecarregar-se emocionalmente. Acredita que qualquer desempenho significativo começa com o cuidado pessoal.

Repertório brasileiro: uma estratégia autêntica

Consciente de que o Enem valoriza o conhecimento de mundo, Caio optou por construir sua argumentação com repertórios majoritariamente nacionais. Para ele, sair do senso comum e buscar reflexões que realmente se conectem com a realidade brasileira é uma escolha mais eficiente do que usar exemplos genéricos ou de países externos.

Ele reforça que repertórios prontos, conhecidos como "de bolso", não devem ser prioridade. A recomendação do Inep vai nesse mesmo sentido: valorizar abordagens criativas e coerentes com a proposta da prova. Por isso, estudar a história brasileira, suas transformações sociais e culturais, torna-se essencial.

Ensino, constância e novos objetivos

Mesmo já matriculado na Universidade Federal de Pernambuco, Caio continua prestando o Enem ano após ano. O motivo é duplo: manter-se atualizado sobre as exigências da prova e assumir um papel formador, ajudando novos estudantes a se prepararem. Ele atua como mentor de alunos do Colégio Núcleo e pensa em seguir carreira na área da Educação.

Além da vaga em Ciência da Computação, também já havia conquistado aprovações em Engenharia Civil e Medicina, além de outras universidades de prestígio. Ainda assim, prioriza a jornada sobre o destino e defende que não há um único caminho para o sucesso estudantil.

Caminhos possíveis e autonomia nos estudos

A experiência de Caio mostra que o segredo não reside em fórmulas mágicas, mas na adequação entre conhecimento e propósito. Ele acredita que sessões de estudo só são produtivas quando mente e corpo estão alinhados. Estudar sem vontade ou sob ansiedade só contribui para a frustração.

Entre suas práticas de preparação, destaca a importância de revisar gramática com frequência, enriquecer o vocabulário e escrever com regularidade. Mais do que decorar modelos, o estudante propõe que cada aluno crie sua própria forma de se expressar com clareza e argumentação sólida.

A leitura ativa, com atenção crítica aos textos motivadores da prova, é outro pilar fundamental. Por meio dela, Caio construiu uma redação original, conectada com as múltiplas expressões socioculturais do Brasil, o que demonstrou sua compreensão da proposta e o levou ao tão cobiçado mil.


A trajetória de Caio Braga revela que alcançar notas altas no Enem é um processo que une estratégia, consistência e autenticidade. Mais do que dominar formas, é preciso entender o conteúdo — e, sobretudo, o país em que se vive.

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