Maria Clara Cunha, de 18 anos, alcançou a nota máxima na redação do Enem 2025, mesmo lidando com o impacto de um diagnóstico tardio de TDAH. A condição dificultava a rotina de estudos, foco e organização, exigindo adaptações específicas.
Ao identificar suas limitações e ajustar estratégias, a jovem encontrou equilíbrio entre saúde mental e produtividade. Assim, conquistou não apenas um excelente resultado, como também a confiança renovada para trilhar sua trajetória acadêmica.
O que você vai ler neste artigo:
Desafios no início da preparação
Durante o terceiro ano do ensino médio, Maria Clara buscava acompanhar o ritmo acelerado da preparação para o Enem. No entanto, a dificuldade em manter o foco e cumprir metas despertou nela a necessidade de investigar o próprio desempenho. Foi nesse período que recebeu o diagnóstico de TDAH, fator decisivo para redefinir seu modo de estudar.
A jovem relata que até aquele momento os métodos tradicionais causavam frustração e desgaste emocional. A falta de estrutura personalizada impedia avanços significativos. A partir das orientações voltadas ao transtorno, ela passou a compreender melhor seu funcionamento e adaptar a rotina de forma mais eficiente.
A transição não foi imediata. Enfrentar o desafio de estudar sozinha, construindo seus próprios métodos, exigiu disciplina, planejamento e, principalmente, autoconfiança. Com o tempo, ela percebeu que o estudo autônomo e focado em leitura e escrita contínuas oferecia melhores resultados do que aulas expositivas.
Além disso, Maria Clara buscou encontrar momentos de pausa com qualidade. Adotou práticas mais equilibradas, no ritmo que sua saúde mental permitia, o que influenciou muito na consolidação dos conteúdos e em sua performance nas provas.
Redação nota mil: referências do passado ao presente
O tema da redação do Enem 2025 — “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira” — surpreendeu a estudante. Acostumada com propostas que abordavam "desafios", precisou lidar com o ineditismo da abordagem. Mesmo sem confiança inicial, Maria Clara conseguiu organizar os argumentos com clareza ao longo do texto.
Para isso, empregou repertórios que dialogavam com diversas áreas do conhecimento. Na introdução, fez uma análise histórica ao mencionar como o imperador Dom Pedro II era retratado nos quadros como um idoso, símbolo de sabedoria e legitimidade. Essa escolha sustentou sua tese desde o início.
No desenvolvimento, utilizou o filme recente “A Substância” como alegoria da pressão estética sobre a idade. A personagem principal, uma apresentadora trocada por uma jovem, ilustra a exclusão de pessoas mais velhas de espaços de prestígio e atuação profissional. Essa construção crítica retratou bem o senso comum da valorização da juventude.
Além disso, a estudante enriqueceu o texto ao citar Karl Marx e sua análise das relações de produção no capitalismo. Ela argumentou como o sistema tende a marginalizar idosos, priorizando apenas a força de trabalho produtiva, descartando quem já não se enquadra em padrões de eficiência.
A profundidade e originalidade dos exemplos, aliados a uma estrutura coesa, resultaram na nota mil — conquista ainda rara na avaliação do Enem.
Adaptação dos estudos ao TDAH
A grande virada nos estudos de Maria Clara veio com o reconhecimento do seu próprio funcionamento mental. Após o diagnóstico de TDAH, entendeu que forçar métodos comuns não era eficaz. Começou a testar e definir horários mais curtos e pausas essenciais, que impactaram positivamente em sua concentração.
Estudar sozinha, em salas silenciosas do cursinho, tornou-se uma alternativa melhor que aulas lotadas. A autonomia para escrever e desenvolver redações por conta própria fez com que evoluísse mais rapidamente. Segundo ela, o hábito da leitura e o acompanhamento de correções com comentários construtivos foram determinantes.
Incluir intervalos também transformou sua rotina. Passou a ouvir mais suas colegas quando sugeriam uma pausa ou um café e percebeu que a produtividade crescia ao respeitar os limites. Aos poucos, abandonou o ritmo exaustivo de horas ininterruptas, trocando por sessões mais eficientes e com foco.
Esse processo de escuta, ajuste e autocompreensão foi, segundo ela, o que permitiu desenvolver um estudo real e profundo, capaz de gerar resultados expressivos, mesmo em uma jornada com obstáculos.
Caminhos após a aprovação
O desempenho no Enem, com redação nota mil, a colocou em posição de destaque na disputa por uma vaga em instituições públicas. A jovem está otimista com o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) de 2026, onde disputará um lugar no curso de Direito.
Antes mesmo de conferir oficialmente o resultado da redação, Maria Clara recebeu outro estímulo. Foi aprovada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), um de seus principais objetivos. Isso ampliou suas possibilidades para seguir o curso desejado.
Essa conquista representa mais do que bons resultados acadêmicos. Reflete uma trajetória de superação, redesenho de estratégias e valorização da saúde mental. A estudante demonstra que, mesmo diante de dificuldades, o autoconhecimento e o comprometimento conseguem reverter uma realidade inicialmente desafiadora.
A experiência de Maria Clara é um exemplo inspirador de como a individualidade nos estudos, aliada à resiliência, pode levar a conquistas que antes pareciam distantes. Seu percurso reflete o impacto de se enxergar com mais clareza e trabalhar com o que realmente funciona para si.
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