A nota da redação da Fuvest 2026 gerou dúvidas entre os candidatos após a divulgação dos resultados da segunda fase. Muitos perceberam que a avaliação não seguia o padrão de pontuação anteriormente descrito nos manuais.
A confusão ocorreu porque a banca utilizou novos critérios de correção e avaliou as redações até 40 pontos, ao contrário dos 50 informados inicialmente. A Fuvest esclareceu que uma conversão proporcional foi aplicada.
O que você vai ler neste artigo:
Alterações no modelo de correção
A principal mudança adotada pela Fuvest na redação da edição 2026 foi a reformulação dos critérios de avaliação. Em vez de três categorias tradicionais, passando a considerar somente:
- Desenvolvimento do tema e organização do texto;
- Coerência argumentativa;
- Correção gramatical.
A banca passou a adotar quatro critérios distintos, ajustando-se a uma nova abordagem de proposta textual, incluindo outros gêneros além do dissertativo-argumentativo. Os novos critérios passaram a ser:
- Desenvolvimento do tema, uso da coletânea e autoria;
- Compreensão da proposta quanto ao gênero e tipo textual;
- Recursos linguísticos e progressão textual;
- Convenções da escrita e vocabulário.
Com essa alteração, cada um desses quatro itens passou a valer 10 pontos, somando no máximo 40. No entanto, os candidatos foram informados anteriormente de que a nota máxima da redação seria 50.
Conversão proporcional da pontuação
Para manter o total de pontos previsto no edital — em que a prova de Linguagens e a redação totalizam 100 pontos (50 para cada) —, a Fuvest aplicou uma conversão matemática proporcional à nota da redação. A nota obtida no novo modelo de 40 pontos foi ajustada para o sistema antigo de 50, com o objetivo de preservar a equidade no cálculo da nota final da segunda fase.
Conforme explicou o diretor-executivo Gustavo Monaco, trata-se de uma equivalência matemática, como se a prova tivesse sido corrigida com base em um valor menor e ajustada proporcionalmente. A fórmula de conversão não foi detalhada em edital, mas foi utilizada a tabela abaixo, divulgada posteriormente:
| Nota original (0 a 40) | Nota convertida (0 a 50) |
| 40 | 50 |
| 35 | 43,75 |
| 30 | 37,5 |
| 25 | 31,25 |
| 20 | 25 |
| 15 | 18,75 |
| 10 | 12,5 |
| 5 | 6,25 |
| 0 | 0 |
Segundo a fundação, essa tabela garante que ninguém seja prejudicado com a mudança não comunicada anteriormente.
Falha de comunicação e esclarecimento público
Apesar da atualização nos critérios de correção estar descrita no Guia de Provas, a nota máxima de 40 pontos para a redação não foi explicitamente mencionada nos documentos oficiais da Fuvest. Tanto o edital quanto o manual do candidato mantinham a informação de que a redação valeria até 50 pontos.
O erro gerou surpresa e incerteza entre muitos candidatos após a publicação dos resultados em 23 de janeiro. As redes sociais e canais de atendimento da fundação foram impactados por questionamentos sobre possíveis prejuízos, levando a Fuvest a publicar um esclarecimento oficial no dia 2 de fevereiro.
A nota da fundação, divulgada publicamente, reconheceu que houve falha na comunicação e se desculpou pela falta de transparência no momento da divulgação. Entretanto, reforçou que todas as redações foram corrigidas com os mesmos critérios, sem prejuízo para qualquer candidato.
Impactos e manutenção da equidade
Apesar da controvérsia, a mudança não afetou o equilíbrio das notas entre os concorrentes, já que a conversão foi aplicada a todos de forma uniforme. A nota final do primeiro dia da segunda fase manteve sua composição de 100 pontos, equilibrando a pontuação da redação e das questões de Linguagens.
Além disso, a reformulação dos critérios visou maior atenção ao gênero textual proposto, uma vez que a Fuvest passou a adotar gêneros variados nas provas de redação, abandonando o caráter exclusivamente dissertativo-argumentativo que prevalecia em edições anteriores.
Em futuras edições, a expectativa é que a fundação aperfeiçoe sua comunicação com os candidatos, destacando claramente as mudanças nos critérios de correção e no sistema de pontuação. A ocorrência reforçou a importância da transparência na condução de processos seletivos de grande impacto, como o vestibular da USP.
